28/04/2012

Valente

- “És um valente!”

Valente. Deixei de ouvir esta palavra, que a minha avó associava, não à força, mas à determinação, à coragem de fazer coisas, de levar a vida para a frente.

E é uma palavra que deveríamos recuperar, porque  vivemos hoje tempos em que são precisas pessoas valentes. Precisas e preciosas!

São aquelas pessoas que arriscam sair do seu telheiro para caminhar à chuva, que põem amor no que fazem, seja trabalho ou divertimento, que ousam aproximar-se de quem respeitam e que merecem a admiração daqueles de quem se aproximam.

Conheço uma pessoa que todos os dias conquista um pouco mais de amizade junto dos que a rodeiam no seu local de trabalho, pelo seu labor, mas sobretudo pelo seu amor. Porque, ao contrário do que se apregoa em muitos megafones dum qualquer 1º de Maio, é possível uma pessoa ser amiga para além de empregada, ser amparo para além de funcionária.

Conheço, mal, confesso, uma pessoa que todos os dias procura  ser melhor filha, melhor educadora, mais amiga e mais mulher. Uma pessoa que ajuda mais do que imagina, que está mais presente do que notará, que tem mais fé do que supõe!

É uma pessoa de hoje. Valente. Quantas pessoas conheçemos assim?

05/04/2012

Ramos

Domingo de ramos é um domingo muito especial. É um daqueles domingos que começa no sábado!
Em criança, o meu pai fazia-me umas cruzes fantásticas em cana, que revestia com alecrim e ramos de oliveira. Uma circunferência em salgueiro ou outro arbusto mais maleável ornava a cruz de tal forma que esta quase se esquecia.
Percebo hoje o extraordinário paralelismo dessa cruz, assim adivinhada sob todos aqueles ramos e folhas, com este domingo feliz em início de semana santa e com aquela entrada messiânica de Jesus em Jerusalém em vésperas de via-sacra.
Naquela minha meninice o domingo de ramos era tão especial porque ninguém tinha uma cruz como a minha ou a do meu irmão. À chegada ao adro da igreja era ver o que os outros meninos levavam e erguer com orgulho aquando da bênção dos ramos aquele maravilhoso trabalho do meu pai.
Tenho pena que se tenha perdido esta tradição. Entristece-me que a Igreja desbarate assim uma oportunidade de chegar de uma forma viva e jovial às crianças e perca a ocasião de juntar pais e filhos num alegre trabalho de casa catequético.
Este domingo de ramos fiz uma pequena cruz à Juliana. Com ramos de mimosa, que colhemos na mata no sábado, revestidos com alecrim que em boa hora a mãe decidiu transplantar para o nosso descuidado jardim.
Este domingo de ramos a Juliana ergueu a sua cruz enquanto eu, não menos orgulhoso, a elevava a ela nos meus ombros. E dou graças pela felicidade que é em dias como estes, unidos nesta fé viva, conseguir juntar os meus pais e os meus filhos. É sempre assim, quando a felicidade é maior do que a saudade!