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É normal sentir algum desconforto mental quando entro ao trabalho às 9 da noite. Não é um horário natural, sobretudo para quem viveu anos a terminar o seu labor por essa altura do dia. Quando tal acontece ao domingo o mau humor é inevitável. Insinua-se logo após o almoço e acentua-se ao longo da tarde naquele meu jeito “o que é tu tens? – não tenho nada!”Ontem vivi um desses dias e só hoje percebi que o negrume se agravou com o que se passou pela manhã. São por vezes pequenas coisas que vão nos incomodando, que se atravessam numa frase dita ou escutada, aparecem do nada e saem para o tudo. E esse “tudo” absorve-nos e enche-nos sem deixar espaço para aqueles outros nadas que são bem mais do que isso.
A uma ida para o banco do meu craque, contrapõem-se um bom raciocínio matemático da minha pequena sonhadora umas horas mais tarde. Mas ainda estou eu também sentado no banco deste dia quando 1/4 ali se junta entusiasticamente à unidade.
É assim com os meus filhos e será tanta vez assim no trabalho ou com os amigos! Detemo-nos em algo que nos incomoda, que nos atira para a penumbra e somos incapazes de reparar num teimoso raio de sol, na almofada suave que procura o nosso rosto. Sejam aqueles um comentário desagradável do patrão ou a insensibilidade dum companheiro de jogo e estes o sorriso aberto dum colaborador ou um comentário oportuno a um nosso “post” no facebook.
Depois de mais um turno de 8 horas e um sono reparador percebo que a soma dos tais felizes 5/4 com as amargas 21 horas dá resultado zero. E isso já é bom. Obrigado filhota!

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