Calafates
Não entendo porque a sociedade actual premeia e celebra tanto o sucesso. Este é já em si um prémio para o trabalho, para a dedicação, para o esforço. E de igual forma é uma celebração dum dom ou de uma sorte, ou até de ambos.Para mim faria mais sentido que, por exemplo, se homenageassem os atletas olímpicos que não tendo alcançado o sucesso das medalhas bateram recordes, nacionais ou até pessoais.
Assim como tem toda a pertinência que, as autarquias ou quem quer que seja, distingam aquelas pessoas que sendo bem sucedidas naquilo que fazem não almejam o sucesso reservado a outros conterrâneos.
Na verdade, muitos dos que se destacam são merecedores de todos os encómios, porque fizeram mais do que lhes era pedido, foram mais além do que seria de esperar. Mas quantos não cumprem apenas a sua obrigação? E quantos, duns e de outros, não beneficiam apenas da sorte de estar na hora certa no lugar certo?
Provavelmente, a maioria dos que hoje fazem bem o que devem fazer é como a figura do humilde calafate que, sendo vital na epopeia dos descobrimentos, teve o azar de estar no sítio certo na hora certa.
