Piscina
Quando chego, em geral, já estão na água. Tento descortiná-los sob as toucas reluzentes e sigo-os com o olhar. Quando finalmente se apercebem da minha presença ergo a mão e, de polegar levantado, dou-lhes um sinal enérgico de aprovação. Repito-o uma e outra vez, por trás do vidro cada vez mais embaciado.É assim que assisto às aulas de natação que os meus filhos têm com os outros colegas de escola. Tanto para ele como para ela as idas à piscina são ocasiões de ansiedade, de receios vários, sei-o. Por isso ali estou, de sorriso na cara e polegar no ar a cada salto para a água, a cada par de braçadas, seja aquele o mais desastrado ou estas as mais lentas.
Por saber cada um deles em luta para superar as suas naturais dificuldades, não ouso uma palavra ou um gesto de correção. Só incentivos, como se cada minuto naquela piscina fosse de uma dimensão olímpica!
Em tantas mais ocasiões, porque cego das suas limitações mais do que espectáveis, olho-os à luz do meu pensar, meço-os com a bitola dos meus registos e esqueço-me de que são crianças. A minha atenção é fugidia e o meu aplauso, quando sai, é frouxo.
Deveria olhar os meus filhos mais amiúde como o faço aquando das idas à piscina. Por vezes vemos melhor através de vidros embaçados!

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