27/06/2011

Cochichos

Numa das últimas homilias ouvi o celebrante referir o quão distantes do coração da eucaristia se encontram os fiéis em demasiadas ocasiões. Lembrou, como exemplos entre outros, aqueles casamentos e baptizados onde ninguém responde, o pouco cuidado com o desligar dos telemóveis e o cochichar durante as celebrações.
Fiquei a pensar no assunto e no fim da missa tive ocasião de trocar algumas impressões com o padre. Pegando naqueles argumentos por outra ponta, ocorreu-me que seria extraordinariamente interessante uma celebração cheia de cochichos se esse burburinho fosse afinal resultado duma verdadeira vivencia da ocasião.
Imagine-se uma eucaristia onde as leituras e a homilia despertassem tal efervescência nos presentes que não seria possível evitar os comentários laterais, as perguntas em surdina, as palavras a quererem saltar! Que vitalidade inusitada teríamos!
Imagine-se uma cerimónia de casamento onde os convidados, mesmo longe do sentido mais profundo do sacramento, se sentissem impelidos a perguntar sobre o que significa este ou aquele rito da cerimónia e os sabedores a explicá-lo.
Que abençoado seria aquele cochicho que permitiria a alguém dizer com sentido o até aí apenas repetido “ámen”!