04/09/2012

Setembro

Nas minhas infância e adolescência o dia 1 de setembro era o dia mais feliz do ano, superando o Natal e o dia de aniversário. A 1 de setembro começavam os 15 dias na praia!

 Não íamos de férias, íamos “15 dias para a Figueira”! Era essa a designação própria daquela primeira quinzena de setembro passada na praia de Buarcos. Dias mágicos, vividos ao minuto, desde o ir ao pão pela manhãzinha até às brincadeiras na areia já depois do Sol se ter ido embora.

Ficávamos numa casa alugada, a mesma de sempre, ainda que me recorde de curtas estadias em outras duas e desde o cheiro característico até às sempre hospitaleiras formigas tudo tinha um encanto especial. Como se de um conto de fadas se tratasse!

Carregávamos batatas e legumes do quintal, vinho e cervejas em grade, malas, caixotes de papelão e até uma botija de gás. E toalhas e lençóis.

A chuva, que sempre aparecia, e os nevoeiros ajudavam a decidir por uma manhã no mercado, entre o peixe para a caldeirada e uma pequena camioneta de plástico. Ou por um passeio pelas muralhas até aos barcos e redes que os pescadores cuidavam.

As noites, já frescas, levavam-nos a um passeio que, com sorte, poderia passar pelos carros de choque ou pelo Caras Direitas onde admirávamos os cartazes dos filmes e comprávamos uma medida de pevides que se esgotava no regresso a casa.

O grupo era o mesmo todos os anos. Como se as famílias lá da terra decidissem fazer turnos de praia entre julho e setembro. Com o passar dos anos as crianças mais velhas do grupo saíam já sem os pais e nós os mais novos íamos com eles como garantia de um regresso não tardio.

As noites iam esticando e o dinheirito curto tinha que dar para uma ou duas fichas nos carrinhos de choque ou um bilhete para ver andar à porrada o Bud Spencer e o Terence Hill, que parecia também irem a Buarcos todos os setembros…

Quando no fim-de-semana vinham os primos arrumávamo-nos em divãs ou colchões no chão para o sono que um passeio até à Figueira da Foz encurtava, avenida marginal acima até à gelataria, a Emanha única, à cervejaria Sagres ou às máquinas das ruas do casino.

Vivíamos em pleno, sem contar os dias, revolvendo areia, enfrentando as ondas e batendo trunfos.

E no fim o verão não terminava ainda. As aulas nunca começavam logo e perdurava ainda por uns dias nos meus ouvidos aquele pregão maravilhoso: “É fruta ó chocolate”!

3 Comments:

At setembro 05, 2012, Anonymous Anónimo said...

Muito bom... :) não sou desses tempos mas já ouvi muitas histórias dos verões na figueira da foz parecidas... :)

Parabéns pelo texto.

Rafaela

 
At setembro 06, 2012, Blogger Raio de Sol said...

Achei-te! :) que bom! Saudades grandes. beijo

 
At setembro 10, 2012, Blogger FD said...

Ufffff...estava a ver que nunca mais voltavas!!! :-)
Mais um texto que adorei ler e que me trouxe à memória os verões da minha infância noutra "Figueira". Um abraço cheio de carinho e muitas saudades

 

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