09/01/2009

Preciso

“Mãe, o importante não é ter pouco ou muito dinheiro. Importante é ter o dinheiro que é preciso.”
Para o Rodrigo, do alto dos seus 6 anitos ainda por completar, o “que é preciso” é certamente diferente do que será para mim. A começar pela pergunta imediata: preciso para quê?
Mas o raciocínio subjacente será certamente muito próximo. O importante é que possamos garantir o nosso actual nível de vida.
Dito assim, pode parecer egoísta. E é-o. Porque a toda a altura e em especial com a actual conjectura, alguma perda de regalias duns para beneficiar outros que precisam (e como a mesma palavra pode ter um significado tão diferente umas linhas abaixo!) deveria ser caminho.
Mas confesso-me então egoísta. Porque quero manter a casa, a comida, o adsl, o aquecimento central a funcionar, a possibilidade de fazer uma grande viagem por ano, a compra dum livro ou dum jogo de quando em vez…
E quero poder dar ao Rodrigo o que ele precisa.

06/01/2009

Ajeitar

O jogador chega-se à linha lateral, estica a camisola por dentro dos calções. O árbitro assistente levanta a placa, ao lado, o jogador, de costas para a câmara, dá mais uns toques na dobra da camisola. A substituição processa-se, não sem antes a imagem voltar a mostrar um outro acerto na camisola!
Porque se preocupa tanto o rapaz com o facto da dobra da camisola ser mais ou menos folgada? Daí a um ou dois minutos vai sofrer um puxão do adversário ou vai escorregar na relva arrastando a bela dobra da camisola…
Será o “nervoso miudinho”? Ou será esta a sua real preocupação naqueles momentos que antecedem a sua entrada no jogo?!
Acodem-me então à lembrança uma série de gestos equivalentes que todos fazemos no nosso dia a dia: o toque no cabelo na última mirada ao espelho antes de sair de casa, o acerto quase compulsivo da gravata, o ajeitar da mala de senhora…
Partimos nervosos para o nosso dia? É esta a nossa maior preocupação de última hora quando queremos causar boa impressão?
Acho que deveriamos treinar melhor o nosso "bom dia", às vezes nem se ouve.