03/07/2011

Cação

Ouvi há dias um amigo corrigir um repetido “pera” da sua filha. Revi-me no episódio, recorrente a pretexto dum trapalhão “atão”, dum quase instituído “bora” ou dum “tive” que, mais vezes do que se encurta, confunde-se no verbo mãe.
Recordei entretanto a vergonha que passei em criança e adolescente às custas do mal dito “ópois”. E dei assim conta que a educação informal que recebi foi tanto fruto do carácter e idiossincrasias dos meus pais como da envolvente de dificuldades e limitações por eles vividas.
Para melhor ou para pior, eu hoje tenho mais possibilidades de me fazer presente na educação dos meus filhos, pensando-a e trabalhando-a.
O que a falta de posses me ensinou a valorizar na minha infância, tenho eu hoje de tentar ensinar na abundância. O que o trabalho ao lado da minha mãe me fez enriquecer naturalmente quando criança, procuro eu agora dar em cada esforço pensado nesse sentido. O que a rua e o rio me fizeram crescer, peço a Deus que o façam com o meu filho o recreio da escola e os jogos da bola ou os passeios de bicicleta comigo…
De uma coisa eu estou seguro, havia tanto amor dos meus pais na dificuldade em me corrigirem o português como há hoje na atenção do meu amigo para que a educação da sua filha não se fique por meias palavras.