PI
Há pessoas que não precisamos conhecer bem para gostar delas quase de imediato.Eu não conhecia onde vivia o Inácio, onde trabalhava ou outros factos que a maioria das pessoas sabe sobre qualquer um. Mas sabia que gostava dele, da sua presença serena, bem disposta na hora de rir, séria na hora de jogar.
Chorei-o na sua partida de uma forma inédita. Porque em geral não é a morte que me dói mas sim a ausência de quem amo. Com a partida do Inácio (e como a palavra partida pode aqui assumir um duplo sentido!) senti na hora a falta do que aí vinha, senti a perda do futuro. E isso assusta. Pelo menos a mim, assustou-me.
Dou graças por o ter conhecido, por termos partilhado um pouco do que cada um de nós é e foi em qualquer uma daquelas maravilhosas ocasiões em que nos encontrámos para lançar um dado e beber uma cerveja.
Numa destas noites não estava fácil sair para ir ter com os meus amigos. Tinha em cima o cansaço duma semana de árduo trabalho e duma viagem de três horas, o desejo de derreter mais uma horita com os meus filhos e os olhos suplicantes da minha esposa para que ficasse em casa.
“Mas o Inácio está cá!”, respondi eu ao apelo que ela não me fez. E fui.
E vou. Porque o Inácio está cá.

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