Sandor
Ele é um corsário dos mares das Caraíbas, atacando os barcos ingleses e lutando pelas donzelas e pela justiça e é um dos muitos heróis que os pequenos livros do Falcão trouxeram à minha adolescência.Recordo como ia e vinha a pé da Brotero à Praça da Republica, em Coimbra, até uma pequena papelaria que vendia livros em segunda mão, para aí gastar o dinheiro poupado no almoço em mais um ou outro Falcão!
Em casa, meio às escondidas, catalogava os preciosos livrinhos e juntava-os à pequena colecção que crescia mais um pouco quase todas as semanas. Por vezes comprava um dos números recentemente reeditados num quiosque minúsculo que uma enorme árvore abrigava junto à passagem de nível do Calhabé, já a caminho da paragem da camioneta de carreira que me levaria a casa.
Eram dias maravilhosos! Tinha uma nova história para ler, quem sabe, um novo herói para acompanhar em aventuras de luta entre maus e bons, entre bravos e cobardes, entre sonho e realidade…
Num destes Domingos encontrei um Sandor inédito numa feira de velharias em Alcobaça. Datado de Maio de 74! O Rodrigo ficou tão entusiasmado quanto eu.
As páginas amareladas daquele nosso novo tesouro cheiram àqueles dias da minha adolescência e a sua bela capa ilustrada transportou-nos imediatamente para os mares das Caraíbas.
Custou apenas 50 cêntimos pôr o Rodrigo a sonhar com aventuras maravilhosas o resto daquele dia e um pouco mais no final dos dias dessa semana.
No próximo mês lá estaremos os dois à caça do Falcão!
