09/01/2010

Poda

Ser pai é maravilhoso. Esta primeira afirmação tem de encetar todo o texto que pretenda abordar uma qualquer dificuldade na educação de um filho. Porquê? Porque é verdade.
Muito bem. Mas, por vezes, ser pai é complicado. Educar não é uma tarefa linear, com cores definidas. Há zonas de tonalidades indecisas, zonas de certezas desfeitas. Acontece amiúde o que julgo melhor para a educação do meu filho deixar-me um nó na garganta de imediato ou um peso no peito ao deitar.
Tenho receio de estar a podar demais o meu filho. Tenho receio de que, de tanto o corrigir, de tanto o chamar à atenção, o esteja a cercear na sua livre vontade. Tenho receio de que o esteja a formatar de tal forma que a pouco e pouco ele possa perder naturalidade e possa vir a agir apenas em função do que eu e sua mãe possamos ou não achar correcto ou apropriado.
Seria fácil resolver esta preocupação se bastasse inverter a situação. Mas sinto que não é assim tão simples. Se não houver poda de todo, não haverá uma boa árvore.

2 Comments:

At janeiro 21, 2010, Blogger Unknown said...

Pois é...
Quem disse que ser pai é fácil?...
Quem disse que amar é fácil?...

Não imaginas as vezes que já dei por mim a tentar contar o número de "não faças isto", "não faças aquilo"... que disse nos últimos 15 minutos.
Eu sinto que por vezes caio no exagero de tanto querer corrigir, formatar, podar (é uma boa analogia)... e acho que isso reflecte algum egoísmo da minha parte... egoísmo em querer que ele seja como eu quero.
Quantas vezes, depois de um momento mais exaltado, reparo naqueles olhitos... se eles soubessem as dúvidas que me assaltam nesses momentos: Fiz bem? Fiz asneira?... É este o melhor caminho?
Quem poderá saber? Não há um "manual"... Todas as crianças são diferentes... e os pais também.

Só tenho a certeza que amo o meu filho e que com esse amor faço o meu melhor... mas às vezes erro... e até lhe peço desculpa.

Afinal os pais também são humanos.

Um abraço.

 
At janeiro 22, 2010, Blogger Rôla said...

Ainda ontem li sobre a importância de dizermos "não". Eu acho que eles poderem arriscar um não já é uma evolução, pois tenho a ideia de que com os nossos pais nem o não ouviamos...

 

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