03/11/2009

Fechadura

Contava há dias um colega de trabalho uma deliciosa história da sua infância na zona urbana de Lisboa.
O seu grupo de amigos, à boleia das cadernetas dos cromos da bola, que davam a conhecer o historial dos grandes clubes de futebol, decidiu fundar um clube. Daí a 30 ou 40 anos seria um grande clube e viria também nas cadernetas e jornais associado aos seus nomes!
Uma equipa precisa de campo para jogar, claro. Depressa iniciaram uma recolha de fundos junto dos transeuntes que rendeu uns poucos de escudos. Escolheram depois um terreno espaçoso e depressa chegaram à conclusão que teriam de dar as melhores condições aos atletas. Surgiu a ideia de construir um balneário.
Na altura, meados de 80, já se percebia que teriam de ser tomados alguns cuidados de forma a preservar as futuras instalações. Havia pois que cuidar de trancar o balneário à chave.
Após uma rápida assembleia foi tomada a primeira e última decisão da fundadora direcção do clube: os fundos angariados foram investidos na compra duma fechadura!
O clube não tem hoje qualquer passivo nem activo, o terreno de jogo foi ocupado pela CRIL, a fechadura servirá ainda um qualquer galinheiro…
Sobra uma história deliciosa e resistirão uns poucos de homens crescidos que sentados em frente aos seus computadores continuam a sonhar com grandes realizações que o dia-a-dia parece adiar.
Mas há com certeza um pequeno Bernardo à espera, no fim de cada um destes dias, que o seu papá tenha disponibilidade para esse feito de sempre e sobretudo extraordinário nos nossos dias: brincar.

1 Comments:

At novembro 03, 2009, Anonymous Anónimo said...

Caro José Carlos Santos, quero parabenizar você por esse texto delicioso. Tenho uma estória semelhante, mas com um clube de golf e hipismo, aqui na Paraná (gente fina é outra coisa…)
Obrigado Zé, Abraço!

 

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