20/05/2011

Confiar

Chegamos ao fim do dia cansados da labuta, mas sobretudo da incerteza no dia de amanhã.
O entusiasmo é pouco e o pouco que não é perturba.
Olhamos a casa que nos acolhe, os objectos que nos prendem, a janela fechada e o degrau no inicio da escada. Parece que a luz é mais fraca e o espaço mais apertado.
A Juliana desequilibra-se em cima do cesto da roupa suja e agarra-se desesperadamente ao meu pescoço.
De pé na cama, já esquecida do episódio, debruça-se sobre a cabeceira e escolhe um dos cartões com as pequenas orações que lemos ao deitar. Reza assim, rezamos assim:
“Protegidos pela bondade,
Esperamos confiantes
Por aquilo que o futuro nos der.
Deus está connosco,
De manhã e de noite
E muito certamente
Em cada novo dia.
Ámen.”
Pode não ser sinal de coisa nenhuma, mas é um bálsamo para a alma.
Sinal seguro é a marca das unhas da minha filha no meu pescoço. Faz-me perceber que também eu hei-de ter alguém para me amparar no desequilíbrio, protegido pela bondade, protegido pelo amor.