27/08/2008

Filipa

É maravilhoso ter uma daquelas amizades que se actualiza de tempos a tempos com uma frescura insuspeita. Uma ligação com alguém que vemos uma vez de 4 em 4 anos mas com quem se fala como se acabássemos de viver um dia de trabalho conjunto ou uma tarde de praia.
Aqueles amigos que temos lá longe, que vemos sabe-se lá quando, também são importantes. Porque sabemos que estão lá, de tal maneira que, uma ou outra vez, até os incluímos nas nossas orações. E porque inevitavelmente nos animam com a simples presença ou o inesperado “olá” telefónico ou internético. Porque nos trazem um sorriso interior só de recordar.
E quando nos reencontramos obrigam-nos a algo inesperado: temos de rebobinar o filme da nossa vida. E isso é um exercício que dificilmente fazemos com os amigos que estamos sempre a ver. E é assim que nos damos a falar de coisas nossas de forma mais profunda com pessoas que vemos pouco. E fazemo-lo de forma mais livre porque não temos os laços da proximidade a atrapalhar.
Amigos à distância implicam trabalho, implicam memórias, cartas ou e-mails longos... E às vezes almoços, combinados ou de surpresa numa ocasião fugidia.